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Tomate GM combate aterosclerose

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A aterosclerose é uma doença crônica – lenta e progressiva que pode começar na infância – causada pela formação de placas nas paredes das artérias. Estas placas são compostas por gorduras, colesterol, cálcio ou outras substâncias encontradas no sangue e que podem crescer e obstruir as artérias prejudicando o fluxo sanguíneo. Ela pode afetar as artérias do cérebro, coração, rins, intestino, membros superiores e inferiores, além de outros órgãos, levando a consequências severas, tais como as doenças da artéria coronária, resultando em angina, infarto do miocárdio, morte súbita, acidente vascular cerebral (AVC) e outras conhecidas como as isquêmicas.

Considerada como um dos principais problemas de saúde em todo mundo, a aterosclerose está relacionada atualmente a uma significativa parcela de óbitos. Acredita-se que a elevada ocorrência deste fato seja o resultado de uma combinação de fatores genéticos, socioeconômicos e ambientais.

A relevância desta patologia em termos de saúde pública justifica o grande número de pesquisas que envolvem diferentes áreas, tais como a cardiologia, a nutrição e até mesmo a psicologia, que têm como foco, além do tratamento da doença instalada, as ações preventivas.

No intuito de buscar novas alternativas para prevenir as diversas consequências que a aterosclerose traz, pesquisadores liderados pelo presidente executivo do Departamento de Medicina e diretor da Unidade de Pesquisa de Aterosclerose da Escola de Medicina David Geffen e da Universidade da Califórnia, UCLA (EUA), Alan M. Fogelman, desenvolveram um tomate geneticamente modificado que produz um peptídeo que imita as ações da lipoproteína de alta densidade (HDL do inglês, High Density Lipoprotein). Os resultados da pesquisa foram publicados na Scientific Sessions desse ano da American Heart Association's.

Por ser um lipídio, o colesterol não se dissolve na água do sangue, assim ele é carregado sob a forma de lipoproteínas, principalmente sob as formas de LDL (low density lipoprotein), o “mau” colesterol e de HDL (high density lipoprotein), o “bom” colesterol.  A maior parte do colesterol é transportada no sangue sob a forma de LDL, sendo que apenas uma porção dele é metabolizada no fígado e a outra serve para fabricar membranas celulares. No entanto, quando em excesso, o LDL se deposita nas paredes das artérias, causando a aterosclerose.

Ao contrário, o HDL tem a tendência de retirar o colesterol das artérias, levando-o ao fígado, onde é convertido em bile. Alguns acreditam que ele também remove o colesterol das placas ateroscleróticas já existentes, diminuindo a velocidade com que se formam. Taxas maiores de HDL reduzem os riscos de problemas cardiovasculares.

Os tomates transgênicos foram produzidos para sintetizar um peptídeo chamado 6F, que tem a mesma ação da ApoA-1 – principal componente protéico da partícula HDL. Ela participa da remoção do excesso de colesterol dos tecidos, sendo responsável pela ativação da colesterol-aciltransferase que esterifica o colesterol plasmático. Da mesma forma que o HDL, é um fator de proteção contra doenças coronarianas e o acidente vascular cerebral, estando sua concentração baixa em pacientes com doença arterial coronariana.

Durante os experimentos, os cientistas alimentaram as cobaias que não tinham a capacidade de remover o LDL do sangue e que desenvolveram inflamação e aterosclerose enquanto consumiam uma dieta rica em gordura.  Após essa etapa, os animais tiveram acrescentado em sua dieta os tomates modificados, em uma porcentagem de 2,2 por cento.

Os resultados foram bastante animadores, pois o fornecimentos dos tomates contendo o peptídeo promoveu a redução dos níveis de inflamação, uma maior atividade da paraoxonase, uma enzima anti-oxidante associada com o colesterol bom e relacionada a um menor risco de doença cardíaca, elevação dos níveis de HDL, diminuição do ácido lisofosfatídico – que se comporta como um promotor tumoral que acelera a formação de placas – e a diminuição de placas ateroscleróticas.

As principais novidades apresentadas pela pesquisa é que pela primeira vez, foi possível obter uma droga com essas propriedades, produzida em uma planta comestível e biologicamente ativa, quando usada na alimentação, sem que fosse necessário o seu isolamento ou purificação.

13/11/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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