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Alarmismo X Progresso

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Recentemente, cientistas da Nova Zelândia apresentaram o mais novo organismo geneticamente modificado (OGM) para o mundo: uma vaca, bonita, sem cauda chamada "Daisy", que produz leite alergênico. Cientistas desenvolveram o animal para enfrentar o problema das alergias infantis ao leite de vaca, o que afeta até 3% das crianças no mundo. 

Mas Daisy é apenas um exemplo atual dos enormes benefícios conseguidos através da biotecnologia. No mês passado, cientistas relataram no American Journal of Clinical Nutrition que o chamado "arroz dourado", uma linhagem de arroz geneticamente modificado para produzir betacaroteno em maior quantidade, sendo mais eficaz como fonte de vitamina A, do que o espinafre. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 250 a 500 mil crianças fiquem cegas anualmente devido à deficiência de vitamina A, e metade delas morrem dentro de 1 ano.  

Na África, milhões de pessoas dependem das culturas de bananas, como fonte de alimento ou como fonte de renda. No entanto, uma bactéria chamada Xanthomonas causadora da BXW (Banana Xanthomonas wilt) contamina as plantações e chegam a devastar as culturas da região. A fim de evitar isso, cientistas desenvolveram bananas com um gene do pimentão que proporciona a resistência à BXW. A tecnologia mostrou que tal promessa é tão importante frente a ameaça representada por BXW, que no ano passado, Uganda dispensou a proibição dos cultivos de OGM para que os cientistas pudessem conduzir testes em suas lavouras.

Enquanto os países em desenvolvimento provavelmente têm mais a ganhar com a adoção OGM, o mundo desenvolvido também colheu benefícios. A modificação genética salvou a agricultura do Havaí contra o mosaico-do-mamoeiro, também conhecido como mancha anelar, é uma das mais nocivas doenças do mamoeiro, causado pelo vírus Papaya ringspot (PRSV-p). A produtividade das culturas de algodão no Oeste dos Estados Unidos também aumentou, enquanto que o uso de inseticidas prejudiciais ao meio ambiente diminuiu, devido as culturas resistentes aos patógenos que dispensam o uso de agrotóxicos.  As "maçãs do Ártico", que não oxidam se tornando marrons depois de cortada, é outra invenção recente.

Os cientistas continuam elaborando culturas a fim de lidar com os desafios globais, como as alterações climáticas. Por exemplo, pesquisadores estão desenvolvendo uma espécie de milho resistente à seca, e plantas OMG que sejam mais eficientes em sequestrar da atmosfera, o gás tóxico que é o dióxido de carbono. Outros grupos estão trabalhando em mosquitos resistentes a malária, bactérias que produzem biocombustíveis e plantas que sintetizam vacinas comestíveis.

Em novembro, nos EUA, o estado da Califórnia irá votar a Proposição 37, um referendo que avaliará a obrigatoriedade da rotulação de alimentos OGM. A campanha do “SIM ao rótulo” é baseada em desinformação e medo. Os proponentes alegam que "temos o direito de saber o que está na nossa comida." Mas esta afirmação aparentemente sensata é enganosa. Os seres humanos vêm modificando geneticamente seus alimentos por milênios através do processo de seleção artificial, cruzamentos interespecíficos, como o corrido entre plantas de trigo e centeio, que deu origem ao Triticale, atualmente cultivado em larga escala no mundo, oriundo da mistura de milhares de genes dessas espécies. A biotecnologia simplesmente abre novas oportunidades e permite que o processo de modificação possa ocorrer rapidamente de forma funcional e precisa.

O medo de que genes exógenos sejam inseridos num organismo resultando em OGM também é equivocado. Culturas são cultivadas em solo, que contém milhões de espécies de bactérias. Assim, a nossa comida, inclusive de alimentos orgânicos está coberto por bactérias. No entanto, ninguém pensa duas vezes sobre este DNA estranho que consomem diariamente em sua base alimentar.

Na verdade, a Associação Médica Americana (AMA) declarou recentemente que "não há nenhuma justificação científica para a rotulagem especial de alimentos provenientes de bioengenharia." Da mesma forma, toda uma série de organizações reconhecem os benefícios de OGM, desde a Academia Nacional de Ciências e da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o United States Department of Agriculture (USDA) e Food and Drug Administration (FDA).

Cientes dos benefícios que os OGMs podem proporcionar, há uma crescente razão para que os melhores cientistas do mundo, e diversos profissionais ligados ao setor  entendam que esta tecnologia possui um potencial de mudança revolucionário a favor da humanidade. Em um mundo que vai chegar a 9 bilhões de pessoas até 2050, precisamos de cada ferramenta que possa ser usada a fim de continuar a melhorar a produção agrícola, e fazer o mundo em desenvolvimento a sair da pobreza.

31/10/2012
 

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