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Patente da Embrapa para transgênicos

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De acordo com um relatório produzido por uma empresa de consultoria focada no setor do agronegócio, a estimativa de adoção da biotecnologia na safra 2011/12 deve atingir cerca de 32,8 milhões de hectares (ha). Nesse documento, a empresa relata as projeções para a produção das três principais culturas transgênicas do Brasil, soja (21,4 milhões/ha), algodão (469 mil/ha) e o milho (4,93 milhões/ha). Ainda segundo o mesmo estudo, o plantio dessas culturas deverá crescer 54% até a safra 2020/21, totalizando 49 milhões de hectares.  Esses números colocam o Brasil como o segundo maior produtor de transgênicos do mundo.

Os transgênicos, indivíduos no qual um transgene é integrado ao seu genoma, vem sendo largamente utilizados, principalmente na agricultura, com o intuito de promover em diversas espécies, o desenvolvimento de características favoráveis ao aumento da produção.

No intuito de aprimorar e agilizar o desenvolvimento de plantas transgênicas no Brasil, pesquisadores da Embrapa, por intermédio das unidades, Recursos Genéticos e Biotecnologia e Café, depositaram em abril no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) a patente denominada "Composições e métodos para modificar a expressão de genes de interesse".

Nesse estudo é apresentada uma técnica que se baseia na análise da região reguladora (promotor) – sequência de DNA próxima à região codante do gene onde fatores proteicos e a RNA polimerase se ligam para dar início à transcrição – responsável pela definição de onde, quando e em que condições as características de interesse se manifestarão no vegetal.

Atualmente, para a produção de uma planta transgênica, os cientistas utilizam promotores do tipo constitutivo – promotor que induz à transcrição em todos os tecidos e continuadamente, ou seja, a manifestação do gene ocorrerá em todas as partes da planta, nas fases de seu desenvolvimento, sendo independente das condições ambientais. Esse tipo de expressão levará à produção de uma quantidade excessiva de determinada proteína.  

De modo contrário, a tecnologia desenvolvida pelos cientistas da Embrapa possibilita a expressão do transgene somente no endosperma do fruto da planta geneticamente modificada. Dessa forma, a planta se torna resistente a uma determinada praga, sem que a proteína tóxica expressada pelo gene prejudique os demais insetos.  

A primeira cultura a ser testada com a nova técnica foi o café em 2005, ano em que a patente foi depositada, quando foi utilizado o banco de dados do Genoma do Café, com mais de 200 mil sequências de DNA e 30 mil genes identificados. O objetivo foi o de procurar promotores específicos de frutos, folhas e raízes, em consequência disso, os cientistas encontraram um promotor ligado somente ao grão de café, o que pode reverter na melhora da qualidade do café brasileiro.

O intuito agora é levar os benefícios da técnica para outras culturas, como o milheto, o sorgo, a soja e a cana-de-açúcar, testando os promotores em espécies e famílias diferentes, em relação à tecidos específicos e à tolerância a seca e senescência.

Esse importante trabalho foi liderado pela pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Juliana Dantas de Almeida, com a colaboração do chefe-geral da Unidade, Mauro Carneiro, da chefe do Departamento de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Mirian Eira e dos pesquisadores da Embrapa - Leila Barros, Alan Andrade, Michelle Cotta e Felipe Rodrigues e do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Luiz Filipe Pereira.

A meta principal é construir um banco de promotores que possa ficar à disposição da ciência, o qual será formado por promotores isolados e patenteados pela instituição, a partir de suas unidades distribuídas em todo o Brasil. Essa conquista garantirá à EMBRAPA independência tecnológica e agilidade no desenvolvimento de produtos geneticamente modificados, destacou Dantas, em entrevista ao Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO).

14/06/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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