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Praga do milho resiste à toxina Bt

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Os vegetais geneticamente modificados são ferramentas valiosas que auxiliam, entre outras coisas, no controle dos inimigos naturais de diversos tipos e culturas, tais como o milho, a soja, o algodão, entre outras.  As duas primeiras são as de maior importância para o mercado, haja vista sua ampla utilização na alimentação, tanto humana quanto animal. Entretanto, mais uma vez, a natureza mostra todo o seu potencial de adaptação criando novos desafios à ciência.

Apesar do sucesso no uso dessas variedades transgênicas, a agricultura norte-americana está sendo confrontada com uma nova situação que pode resultar em elevados prejuízos econômicos nas suas plantações de milho transgênico. A variedade GM plantada nas lavouras dos EUA é a Bt, desenvolvida a partir da introdução de genes específicos de Bacillus thuringiensis que levam à produção de proteínas tóxicas a determinadas ordens de insetos considerados pragas (insetos que causam danos econômicos) para essa cultura.

Quando foi criado em 2003 pela empresa norte-americana Monsanto, o milho Bt tinha como alvo combater a larva de um besouro que estava se tornando um grande problema nas lavouras da região centro-oeste dos EUA. Recentemente, um estudo desenvolvido pelo professor de entomologia da Universidade de Iowa, EUA, Aaron Gassman, mostrou que a larva do inseto encontrado nessa região do país desenvolveu resistência à toxina sintetizada pela variedade GM, aparecendo também em Iowa. A pesquisa concluiu que esse foi o primeiro caso de resistência entre espécies de besouros que são pragas dessas culturas.   

Em entrevista ao portal Checkbiotech, o especialista em agronomia da Universidade de Extensão do Missouri (University of Missouri Extension), EUA, Jim Jarman, explicou que o plantio contínuo do milho em uma mesma área e por várias safras seguidas, contribui para que as larvas se tornem resistentes ao milho Bt, pois os ovos depositados pelo besouro no solo permanecem em estado de latência até o próximo plantio, quando então eles eclodem e as larvas têm a oportunidade de atacar novamente as plantas.

Já na região do Missouri, os agricultores utilizam a técnica de rotação de cultura, que ajuda a diminuir a quantidade de larvas resistentes, pois ao final do plantio do milho, os agricultores plantam a soja, ficando elas sem alimento disponível.

A técnica manteve esse estado livre dos insetos resistentes, mas não de outros que pudessem migrar de regiões diferentes, tal como a espécie encontrada nas lavouras do norte dos EUA, que desenvolveram a capacidade de se manterem em estado de dormência por mais de uma safra, fenômeno chamado de diapausa estendida, o que permite que a larva sobreviva durante o período de plantio da soja e possa se alimentar da próxima plantação de milho.  

Uma adaptação ocorrida nas larvas da região oeste foi a capacidade de voar para outros campos onde poderá ser feita a plantação de milho e ali colocar seus ovos. Dessa forma, aquelas que sobrevivem podem se reproduzir criando uma nova espécie adaptada à rotação de culturas.

Apesar dos dados concretos apresentados pelo estudo e da concordância do fato pela própria Monsanto, a empresa acredita que os resultados não indicam que possa haver prejuízo para os produtores.

15/09/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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