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Brasil anuncia sequenciamento genético do cafeeiro

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Próximo passo deverá ser o desenvolvimento de novas variedades da planta, mais produtivas e saborosas

Esta semana o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues anunciou que o Brasil finalmente completou o seqüenciamento genético de um dos principais produtos agrícolas do mundo, o café. O Brasil é atualmente o maior produtor mundial (seguido por Colômbia e Indonésia) e o segundo maior consumidor do produto, atrás apenas dos Estados Unidos.

O ministro, que fez questão de participar do anúncio, enfatizou que o país poderá agora produzir um “supercafé”. "O café já foi o carro-chefe da nossa economia, e agora mostramos que o café brasileiro continua na vanguarda", afirmou o ministro. As atividades relacionadas ao café movimentam anualmente cerca de R$1,5 bilhões somente no Brasil.

 

Banco de dados

O projeto conta ainda com um banco de dados para armazenar todas as informações obtidas a partir do seqüenciamento do café. O Banco irá contar com cerca de 200 mil seqüências  de DNA, obtidas à partir de 32 mil genes estudados do cafeeiro.    Segundo Manuel Cabral Dias, Chefe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o cafeeiro possui na verdade de 40 a 50 mil genes, mas apenas os genes ativos foram observados, pois o processo completo seria dispendioso e não traria benefícios.

Por outro lado, as informações levantadas pela pesquisa deverão abrir caminho para o desenvolvimento de plantas que apresentem maior qualidade em aroma, sabor, e características nutricionais (como a quantidade de cafeína, por exemplo). 

Espera-se também desenvolver plantas que sejam mais resistentes a pragas e doenças, tolerantes a estresses ambientais e com maturação uniforme do grão, gerando maior produtividade nas lavouras do país. Foram estudadas e armazenadas seqüências genéticas das espécies Coffea arábica (que responde por cerca de 70% da produção nacional) e Coffea robusta

 

Patentes brasileiras

Além de elevar o status da pesquisa científica no país, a liderança na corrida pelo genoma do café coloca o Brasil à frente nas oportunidades de patenteamento de genes. 

As informações do banco de dados serão administradas pela Fapesp (Fundação de Amparo á Pesquisa do Estado de São Paulo) e pela Embrapa, que regularão o acesso de instituições nacionais e estrangeiras. Segundo o ministro, as possibilidades de parcerias com institutos e empresas de outros países não é descartada, “desde que a patente seja brasileira”, afirmou.    Segundo Antonio de Páduia Nacif, gerente-geral da Embrapa Café, o melhoramento genético de uma espécie pode levar até trinta anos.Com este projeto, no entanto, o tempo para o desenvolvimento destas variedades pode ser reduzido para dez anos.    

 

Próximos passos   

O próximo desafio a ser vencido pelos pesquisadores brasileiros é o desenvolvimento de projetos na área de genômica funcional, com estudiosos de várias disciplinas atuando em conjunto, com o objetivo de entender as funções dos genes e como estes interagem com o meio ambiente. 

Para que isso seja possível, o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café já financia quatro projetos que utilizarão os dados obtidos com o seqüenciamento do cafeeiro. Os projetos devem estudar genes envolvidos no metabolismo de açúcar no grão de café e no florescimento da planta. 

A pesquisa, que custou cerca de R$6 milhões (R$1,5 milhão em investimentos diretos), contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo(FAPESP), do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e de várias outras instituições de pesquisa e ensino científico no país, como USP, UNESP, UNICAMP, entre outras.

 

  

16/08/2004
 

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