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Vetor cria planta GM na natureza

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A combinação de novas descobertas científicas, em especial, nas áreas de biologia celular e molecular, somadas aos avanços em outras, diretamente relacionadas, permitiu o desenvolvimento de tecnologias que, desde a década de oitenta, causaram importantes e significativas mudanças em diversos setores da indústria relacionada com as ciências biológicas.

Uma das áreas mais beneficiadas foi a agricultura, pois com o desenvolvimento das plantas geneticamente modificadas é possível realizar o melhoramento genético de cultivares de interesse econômico, afim de que elas possam adquirir características que, naturalmente elas não possuem, como por exemplo, maior resistência a uma determinada praga. O uso dessa tecnologia permite a transferência de genes para as plantas, a qual não seria possível fazer por meio de cruzamentos sexuais ou fusão de gametas.  

Mesmo apresentando tantas vantagens, o advento das plantas GM trouxe consigo polêmicas em vários países, no que diz respeito à biossegurança e à rotulagem dos produtos comercializados. Um dos argumentos utilizados por determinados setores da sociedade, que são contra os OGM, é das conseqüências que a mistura de genes entre diferentes espécies pode trazer à saúde humana, por meio do consumo desses vegetais.

Apesar de todo o conhecimento adquirido até o momento sobre plantas GM, a pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade de Lund, Suécia, conseguiu demonstrar que a modificação genética pode acontecer de forma natural por transferência gênica horizontal. Os pesquisadores acreditam que esse processo tenha ocorrido por meio de um parasita. O estudo foi publicado na edição do dia 20 de outubro da revista PLoS ONE.

A comprovação da descoberta se deu pela análise do genoma da espécie Festuca ovina, no qual foi encontrado o gene PgiC2, codificador da enzima fosfoglicose isomerase citosólica, da Poa palustris, uma espécie poliplóide. Um detalhe que chamou a atenção é que ambas são reprodutivamente incompatíveis, o que impossibilita a transferência do gene por via sexuada. Os pesquisadores observaram também que o gene está na forma polimórfica na P. Ovina. Outra descoberta importante foi a de que a cópia ativa do PgiC2 está intimamente relacionada a um pseudogene – cópia incompleta ou que sofreu mutação de um gene que não é transcrita, embora estável no genoma.   

Por intermédio das sequências upstream e downtream do gene PgiC2 e dos genes correspondentes, obtidas de ambas as espécies, os pesquisadores realizaram uma comparação. Os resultados mostraram que o segmento completo à montante do PgiC2, necessário para a expressão dos genes, está incluído na região de transferência. Esse segmento, de cerca de 1Kb, com capacidade associada de transposição (da sigla em inglês TAF) foi encontrado pelos cientistas na P. palustris e em seus parentes poliplóides, mas não na posição homóloga. No entanto, ela não foi encontrada em outras espécies de gramíneas e na Festuca ovina 

A análise dos resultados mostrou que a semelhança encontrada entre as duas regiões do genoma – upstream e downtream – do gene PgiC2,  que correspondem à espécie  P. palustris confirma a idéia de que o gene é o resultado da duplicação ocorrida na linhagem F. ovina. Evidências como o tamanho reduzido do material genético transferido, a complexidade do gene  PgiC2 e o TAF, levaram os pesquisadores a pensar que a transferência horizontal se deu por meio de um vetor e não através da polinização ilegítima.

12/11/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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