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Embrapa pesquisa algodão resistente a pragas

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Cientistas esperam que em até cinco anos a planta já possa ser utilizada comercialmente

Um algodão geneticamente modificado, resistente ao ataque de pragas e pronto para ser utilizado em 2009. Este é o objetivo que a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, espera atingir com um projeto desenvolvido na Embrapa Algodão, unidade da empresa em Campina Grande (PB).

Desde que foi introduzida no Brasil, a cultura algodoeira sofre com o ataque de pragas como o bicudo, pequeno inseto que em 1983 quase dizimou as plantações de algodão da região Nordeste, e contra o qual há 20 anos são desenvolvidas pesquisas pela Embrapa.

Realizada em parceria com o Cenargem – Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, o estudo pretende produzir plantas que possam servir para uso comercial na lavoura brasileira.

Os pesquisadores devem retirar, de microorganismos, trechos de DNA responsáveis pela produção de proteínas e enzimas que eliminam as pragas e, em seguida, inseri-los junto ao código genético do algodão. Segundo a coordenadora do projeto, Roseane Cavalcanti dos Santos, “a pesquisa está baseada na identificação e isolamento de um gene que codifica para uma enzima com potencial inseticida”.

Atualmente, os cientistas estão trabalhando na fase de decodificação de genes que servirão para combater as pragas, ou seja, estão “decifrando” o material genético destes organismos. Os trechos de DNA estudados são provenientes de duas bactérias: uma do gênero Streptomyces e outra do tipo Bacillus thuringiensis

A bactéria Bacillus thuringiensis já é utilizada na produção de vários outros produtos transgênicos, como a soja Bt e o milho Bt (que por isso trazem a sigla). 

Até agora a equipe de pesquisa já conseguiu codificar cerca de 50% do material genético dos microorganismos, e espera finalizar a tarefa até o final do ano. “A partir desta etapa, serão iniciados os testes de introdução da seqüência codante do gene na planta e posteriores ensaios relativos ao potencial inseticida da nova planta melhorada sobre os insetos”, afirma Roseane.

A pesquisadora, que defendeu tese de doutorado sobre o algodão transgênico pela UnB (Universidade de Brasília) ano passado, explica que a enzima produzida pelas bactérias é tóxica para os insetos, pois ataca o colesterol de suas membranas intestinais, levando-os à morte.

 

Upgrade genético  

Nos testes, Santos e sua equipe utilizaram as proteínas e enzimas codificadas pelos genes  como alimento de larvas, e verificaram que 57% morreram após a ingestão do produto. Em testes isolados, as fêmeas dos parasitas reduziram sua produção de ovos em 47%. Nos mamíferos, no entanto, a substância mostrou-se atóxica, sem efeitos negativos.

Apesar de animadores, os dados abrem a possibilidade de que, com o tempo, insetos que resistiram às modificações genéticas possam restabelecer as populações de parasitas, cada vez mais resistentes. 

Quanto a isso, a equipe da Embrapa está tranqüila. Eles esperam que, quando isto ocorrer, já existam novos genes a serem inseridos e pesquisas mais avançadas, numa espécie de “upgrade genético” da planta. "Mesmo com inseticidas comuns isso acontece. Os insetos acabam adquirindo resistência, isso é a seleção natural”, afirma a coordenadora da pesquisa. 

O Brasil gasta anualmente R$ 900 milhões para combater as pragas do algodão. Em 2002, segundo Roseane, cerca de US$ 2,5 bilhões foram gastos no país para a compra de agrotóxicos, dos quais 28% destinavam-se à compra de inseticidas. Além disso, “cerca de 19 países já plantam algodão transgênico”, conclui.

 

 

02/08/2004
 

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