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“Pele artificial” de celulose é criada porcientistas brasileiros

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Uma membrana artificial com a propriedade de proteger queimaduras e lesões da pele humana, permitir a troca de gases e a respiração do corpo, mas que impede a passagem de líquidos e impurezas. Esta é apenas uma das aplicações do material desenvolvido pela empresa Bionext em parceria com pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) - campus de Araraquara, e do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP). 

Trata-se da pele artificial, um novo polímero feito a partir da celulose produzida pela bactéria A. xylinum, comum em frutas em decomposição. Para captar melhor o oxigênio, a A. xylinum produz longas microfibras de celulose, que se aglutinam na superfície do um meio líquido e formam uma espécie de “capa gelatinosa”.

Depois de retiradas da água, secas, purificadas e compactadas, essas microfibras dão origem a finíssimas películas de celulose. Após uma série de tratamentos industriais, o material adquire propriedades como resistência mecânica, permeabilidade a gases e se torna impermeável a líquidos.

A celulose é um material há muito conhecido pelos pesquisadores, mas não possui muitas aplicações quando extraída de plantas e outras fontes. Já a celulose obtida através deste processo é quimicamente pura, o que permite sua manipulação e a criação da membrana. Além disso, a forma bacteriana do material é um polímero cristalino, ao contrário das outras formas de celulose.  



Inúmeras aplicações

Como curativo, o novo material deve ser utilizado no tratamento de lesões e queimaduras, e poderá ser ainda aplicado em procedimentos médicos nas áreas de cardiologia, neurologia e odontologia. Em casos de perda de pele por traumas mecânicos ou úlceras, a película de celulose funciona como um substituto temporário do tecido.

Segundo seus criadores, após a aplicação o paciente poderá realizar tarefas como tomar banho ou ficar exposto ao sol sem problemas. O produto gruda no local da lesão, formando uma crosta, e cai naturalmente quando o tecido estiver recomposto. Além de permitir a respiração da pele, a membrana tem a capacidade de atenuar ou até mesmo de extinguir a dor nos pacientes, o que permite uma recuperação mais rápida e diminui os custos com internações.    O novo material possui inúmeras aplicações e propriedades que ainda estão sendo estudadas. Uma delas é a aplicação do material em placas blindadas e coletes à prova de balas. Para isso, a Bionext conta com a orientação de uma empresa especializada em blindagem. 

A membrana também será submetida a testes de resistência ao tempo e envelhecimento rápido para avaliar se é possível utilizá-la na recuperação e conservação de documentos históricos.

No futuro, o produto poderá contribuir para a medicina não somente como curativo. Pesquisas já avaliam a possibilidade de se utilizar a celulose em implantes no lugar da dura-máter (membrana espessa que recobre o cérebro e a medula espinhal) e também na fabricação de material cirúrgico. 

Além disso, outra pesquisa avalia a possibilidade de se utilizar a celulose na fabricação de telas planas flexíveis e luminescentes, com espessura de uma folha de papel, para utilização em telas de computadores e televisores.

Todos os produtos obtidos até agora pela Bionext têm como origem os estudos realizados desde a década de 80 por Luiz Fernando Farah, atual diretor científico da empresa. O pesquisador, que já estudou direito e psicologia, começou a estudar a bactéria por pura curiosidade, com amostras da A. xylinum trazidas da Alemanha por um amigo. 

Farah, que já foi premiado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual pela invenção da membrana, começou as pesquisas em casa, sem o auxílio de instituições. 

Desde 2002 ele trabalha com a empresa Bionext para desenvolver não só a pele artificial, mas todas as aplicações do produto, que já possui patente registrada no Brasil. O registro da patente para os Estados Unidos, Ásia e Europa Ocidental já está em andamento.  

26/07/2004
 

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