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Brasil e Europa contra fungo da banana

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Uma das mais temidas doenças dos bananais pode ter a sua entrada nas Américas controlada ou até mesmo barrada. Essa conquista se deve ao esforço conjunto entre pesquisadores brasileiros do Labex Europa, da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e da Universidade de Wageningen, na Holanda. Dessa parceria, foi desenvolvido o primeiro método de diagnóstico molecular específico para o Fusarium oxysporum f. sp. Cubense (Foc), fungo causador do Mal do Panamá.

O avanço dessa doença em plantações de banana nanica é uma das maiores preocupações dos pesquisadores da fruta em vários países. Quando chegou ao Brasil em 1957, arrasou grande parte da produção de banana maçã, no entanto, ainda não havia aparecido na variedade nanica no país, tendo sido detectada posteriormente.  
  
A raça do fungo que fez parte desse estudo é conhecida também como raça tropical 4 (tropical race 4, TR4), e afeta grande parte das variedades da cultura da banana, dentre elas as do tipo nanica. Os cientistas analisaram a variação genômica do fator de alongamento da tradução 1α (TEF-1α) e a região separadora intergênica (intergenic spacer region, IGS) do operon ribossomal nuclear do fungo Fusarium oxysporum f. sp. Cubense. Ele foi isolado de diferentes áreas de produção de bananas, representando linhagens dentro das raças já conhecidas, o que compreende 20 grupos de compatibilidade vegetativa (do inglês vegetative compatibility groups, VCG).

Com o objetivo de detectar isolados de VCG 01213, os cientistas desenvolveram uma ferramenta de diagnóstico de PCR, baseando-se em dois polimorfismos de nucleotídeos únicos (single nucleotide polymorphisms, SNP) presentes na IGS. Os experimentos confirmaram a especificidade de aplicação do diagnóstico envolvendo os isolados de TR4, o fungo Foc isolado de outros 19 VCG’s, outros fungos fitopatógenos e amostras de DNA provenientes de tecidos de cultivares Grand Naine do grupo genômico AAA.  

Em uma etapa seguinte do estudo, os cientistas desenvolveram um PCR multiplex (uma variante da PCR, que permite a amplificação simultânea de muitos alvos de interesse em uma reação, usando mais de um par de primers), para amostras de vegetais ou fungos que distinguiram os genótipos das espécies Musa acuminata e Musa balbisiana.

A expectativa dos pesquisadores é de que os serviços internacionais de quarentena passem a utilizar a nova metodologia para evitar a disseminação da praga para as áreas livres.
 
 
Labex Europa

A atuação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) não se atém apenas ao território nacional. Ela atua também na América do Norte, na Europa, na África e na América Latina. Por meio de Laboratórios Virtuais da Embrapa no Exterior (Labex), ela negocia com a instituição parceira, através de uma de suas unidades de pesquisa, projetos de interesse comum. Além disso, os pesquisadores podem realizar o acompanhamento científico e tecnológico, com o intuito de ampliar a compreensão do contexto europeu no âmbito da pesquisa agropecuária. Neste estudo, a interação entre os pesquisadores da Embrapa e a Europa foi realizada pelo Labex Europa (Montpellier, França).

05/03/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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