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Pesquisadores decifram genoma de principal praga do arroz

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Este mês um consórcio internacional de pesquisadores anunciou  ter completado o genoma da mais devastadora praga do arroz, em um processo que pode ajudar produtores e consumidores em todo o mundo. O trabalho foi publicado na edição de 21 de maio da revista científica Nature.

Trata-se da identificação dos genes de um fungo, o Magnaporthe grisea, causador da brusone. Todos os anos, a praga destrói arroz em quantidade suficiente para alimentar cerca de 60 milhões de pessoas. Com a pesquisa, agora cientistas de todo o mundo poderão buscar novas soluções para combater o principal inimigo das plantações do cereal.

Chefiados por Ralph Dean, diretor do Centro para Pesquisa Integrada de Fungos da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NCSU, na sigla em inglês), os pesquisadores encontraram uma série de elementos que ajudam a explicar como o fungo age sobre as plantas, com receptores que permitem identificar o ambiente; proteínas sintetizadas por ele que agem no ataque às plantas infectadas e a presença duplicada alguns mecanismos de defesa, o que permite ao fungo resistir a ataques.

Segundo o pesquisador, que é também professor do Departamento de Patologias de Plantas da universidade, o M. grisea possui “um sistema inteligente”. “Se você tem alguns genes que são importantes, você tende a ter um monte deles”, ressalta.

De acordo com o artigo, o genoma do fungo contém ainda retro-elementos (chamadas “sobras” de vírus), presentes no que Dean chamou de “hot spots” do genoma. “Estas sobras de vírus vivem em partes bem discretas do genoma e possuem alto índice de recombinação, o que pode explicar porque o fungo desenvolve novas variedades tão rápido”, diz o cientista.     Há alguns anos, em julho de 2002, Dean e uma equipe de pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets, nos Estados Unidos) já haviam apresentado uma primeira versão do genoma do M. grisea. Os dados, na época, foram colocados à disposição do público para que cientistas de todo o mundo pudessem trabalhar no combate à praga.

No entanto, diz o cientista, faltava ainda identificar de que forma os genes atuavam no fungo. Para ele, este novo mapeamento ajudará a determinar quais os genes envolvidos na produção de toxinas do fungo, e qual a melhor forma de acabar com isso.

“A principal missão é descobrir as fraquezas do organismo. Isto é feito com a construção de um arsenal de informações sobre quais genes estão envolvidos na interação do patógeno (o fungo) com a planta”, explica Dean.    Para conseguir isso, os cientistas estão utilizando dois métodos diferentes de identificação dos genes, a genômica comparada e a funcional.

“Na genômica comparada, você compara este genoma com o de outros fungos. No entanto, eles são muito diferentes, evoluíram muito. Fungos de uma mesma família podem ser tão diferentes quanto um homem e um sapo”, conclui.

Já na genômica funcional, os dados conseguidos na etapa comparativa servem de base para os cientistas concentrarem seus esforços. “O M. grisea possui cerca de 11.000 genes diferentes, não dá pra olhar todos. O estudo comparativo nos dá caminhos para analisarmos classes de genes e de proteínas e priorizar os nossos estudos”, diz o cientista.
 
  
24/05/2005
 

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