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Exame de sangue e doenças psiquiátricas

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Em um artigo publicado na edição de dezembro (2019) do Journal of Psychiatric Research, pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de São Paulo (Unifesp), apresentaram os resultados sobre a identificação de biomarcadores que podem ajudar no diagnóstico e diferenciação da esquizofrenia e do transtorno bipolar (do inglês Bipolar Disorder - BD e SCZ - Schizophrenia, respectivamente).

De acordo com a Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB), a Doença Bipolar, tradicionalmente designada Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e mania. Já a esquizofrenia, segundo o Instituto de Psiquiatria Paulista, é uma doença psiquiátrica endógena e caracterizada principalmente por alucinações visuais e auditivas, além do isolamento.

No mesmo artigo, a equipe comentou os resultados obtidos em um estudo anterior, no qual foi possível discernir pacientes com SCZ e BD de indivíduos saudáveis (controle), por meio da espectroscopia de ressonância magnética de prótons (H-NMR, em inglês).  “A espectroscopia de prótons é reconhecidamente um método não invasivo que, quando associada à imagem por ressonância magnética, possibilita a correlação de alterações metabólicas e bioquímicas com mudanças fisiológicas e anatômicas dentro de um volume previamente determinado, como por exemplo no caso de lesões no encéfalo”.

Os dados obtidos a partir da H-NMR foram submetidos à quimiometria (abordagem estatística para as análises químicas), análise de componente principal, e a análise discriminante por mínimos quadrados parciais (PLS-DA - sigla do termo em inglês), possibilitando a identificação de alguns metabólitos, estando alguns presentes apenas nos indivíduos BD ou somente nos esquizofrênicos.

Com o aparecimento de diferentes metabólitos em indivíduos com transtornos distintos, os pesquisadores acreditam que eles possam ser usados como potenciais biomarcadores, ajudando no diagnóstico, possibilitando a diferenciação entre pacientes SCZ e BD, e destes em relação aos indivíduos controle (sem transtorno), diferenciados pela ausência destes metabólitos. O parâmetro de presença ou ausência de alguns metabolitos na corrente sanguínea, possibilitou que a equipe de pesquisadores pudesse separar 182 indivíduos em diferentes grupos.

A professora no Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenadora do estudo, Mirian Hayashi, comentou em entrevista à Agência Fapesp, sobre a dificuldade de se diferenciar duas enfermidades com sintomas tão parecidos, mas que com o uso de exame laboratorial, é possível identificar padrões no soro sanguíneo e, assim, distinguir os casos de esquizofrenia e de bipolaridade de modo preciso, melhorando o prognóstico dos pacientes. 

Segundo Hayashi com o objetivo de encontrar diferentes padrões de metabólitos, associando-os a um dos transtornos, as amostras de soro sanguíneo foram colocadas sob efeito de um campo magnético, utilizando a ressonância magnética nuclear de prótons, que permite detectar todas as variações (picos) de prótons em uma amostra. Ela explicou que, “como toda molécula tem prótons, é possível traçar um perfil de ressonância, com diferentes composições dentro de um fluido e ao analisar essas variações de prótons entre diferentes indivíduos, é possível identificar padrões nas amostras de pacientes esquizofrênicos que diferem dos padrões em bipolares ou pessoas saudáveis”.

Outro fator apontado como de grande importância é a compreensão das vias metabólicas, que são específicas para cada tipo de transtorno, e que se existe um padrão de alteração em certos metabólitos, isso se deve a essas vias, comentou o coautor do estudo, João Victor Silva Nani, à Agência Fapesp. A maior compreensão dessas vias ajudaria no desenvolvimento de novos e mais eficientes tratamentos.

Uma parceria entre brasileiros e japoneses, utilizando ferramentas de bioinformática e de inteligência artificial (A.I., do inglês Artifitial Intelligence), pode resultar na identificação das vias metabólicas relacionas a esses transtornos e de forma individualizada, vislumbrando melhores tratamentos.

27/08/2020
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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